Desvendando o equilíbrio entre Soft e Hard Skills
O LinkedIn tem mais acesso do que qualquer outra pessoa a dados sobre:
a) os conjuntos de habilidades dos melhores talentos atuais e
b) os conjuntos de habilidades que as empresas estão buscando
Há um descompasso entre os dois que Jeff Weiner, CEO do LinkedIn, chama de lacuna significativa de habilidades. "Surpreendentemente", disse Weiner em uma entrevista à CNBC, "é nas habilidades interpessoais que estamos vendo o maior desequilíbrio. A comunicação é a lacuna de habilidades número um".
Um recente Relatório da Força de Trabalho do LinkedIn constatou que as quatro habilidades interpessoais mais procuradas são liderança, comunicação, colaboração e gerenciamento de tempo. O relatório corrobora com nossa própria experiência onde descobrimos que as soft skills podem ser difíceis de encontrar e difíceis de dominar.
Habilidades interpessoais (soft skills) versus habilidades técnicas
Há um debate em andamento sobre a importância relativa das habilidades interpessoais e técnicas que implica uma competição entre as duas. No entanto, ambas são necessárias e complementares uma à outra.
As hard skills (técnicas) são habilidades ensináveis e, na maioria das vezes, são técnicas, como análise econômica, planejamento estratégico ou design. Já as soft skills se enquadram no âmbito interpessoal e incluem saber ouvir (escuta ativa), formação de equipes e desenvolvimento de liderança. Elas não são tão ensinadas quanto cultivadas. Todos nós temos uma predisposição para sermos mais fortes em algumas áreas do que em outras. No entanto, podemos cultivar essas qualidades ao longo do tempo com autoconsciência, empatia, persistência e humildade.
Os próprios termos são inadequados e enganosos. Em uma crítica sobre a importância das habilidades interpessoais, a assertividade foi considerada uma habilidade difícil. A princípio, isso faz sentido. No entanto, em uma inspeção mais detalhada, fica claro que a assertividade é inseparável da dinâmica interpessoal. Para saber quando e como usar essa qualidade, precisamos primeiro ler a sala, os outros e a nós mesmos.
Inteligência emocional é um termo abrangente que engloba muitas dessas habilidades interpessoais essenciais. Há quem diga que a inteligência emocional não é uma soft skill.
Devemos considerar que as habilidades técnicas e interpessoais trabalham em conjunto. A inteligência emocional reforça as habilidades técnicas, ajudando-nos a pensar de forma mais criativa sobre a melhor maneira de aproveitar nossas habilidades técnicas.
Para ter uma perspectiva diferente é importante rejeitar a falsa dicotomia entre habilidades interpessoais (soft) e técnicas (hard). Os grandes líderes precisam ser capazes de fazer coisas realmente difíceis - mudar uma direção estratégica, vender uma divisão há muito valorizada, demitir funcionários - com... um toque de sutileza.
Uma vantagem vencedora
Números concretos comprovam o valor das habilidades interpessoais.
O escritor Daniel Goleman vem defendendo a inteligência emocional há mais de 20 anos. Ele sustenta sua afirmação com uma extensa pesquisa em livros como Emotional Intelligence at Work (Inteligência emocional no trabalho):
Quando o QI e as habilidades técnicas são semelhantes, a inteligência emocional é responsável por 90% do que faz as pessoas subirem na escada do sucesso.
Uma pesquisa de competências realizada em mais de 200 empresas e organizações em todo o mundo constatou que a inteligência emocional era duas vezes mais importante do que a capacidade técnica e cognitiva para distinguir os funcionários de melhor desempenho dos medianos. Em cargos de liderança sênior, ela era quatro vezes mais importante.
Uma pesquisa com mais de 500 executivos descobriu que a inteligência emocional era um melhor indicador de sucesso do que a experiência anterior relevante ou o QI.
O recrutamento é o sangue vital das forças armadas. Depois que a Força Aérea começou a usar testes de inteligência emocional para contratar recrutadores, eles descobriram que sua capacidade de prever quem seria um recrutador bem-sucedido aumentou três vezes.
A boa notícia, diz Goleman em uma entrevista ao Business Voice, é que as habilidades da inteligência emocional são "habilidades ensináveis". Isso não as torna fáceis de adquirir, de forma alguma. Cultivar a inteligência emocional envolve o trabalho árduo de desfazer velhos hábitos "excessivamente ensaiados" e criar novos.
Faça um inventário
O primeiro passo é voltar às antigas máximas gregas - "conhece a ti mesmo". Devemos estar dispostos a fazer um inventário de nossas habilidades e tendências emocionais. Quando estamos realmente ouvindo, em vez de apenas esperar por uma oportunidade de falar? Que situações nos levam a nos contrair e a ficar na defensiva ou a fazer julgamentos? Por outro lado, o que estamos fazendo corretamente quando inspiramos e trazemos à tona o que há de melhor nos outros?
Uma habilidade que pode auxiliar muito é fazer uma autoavaliação diferente - um monitoramento constante. Fazer um controle periódico de nós mesmos ao longo do dia nos ajuda a evitar sermos pegos por pensamentos contraproducentes. Podemos cortar os ciclos de pensamentos negativos pela raiz e manter o foco na situação em questão.
Por exemplo, após uma reunião problemática, pare por um momento e meça sua temperatura emocional interna. Se estiver se sentindo tenso, respire fundo e com consciência. Permita-se dar uma pequena volta no quarteirão. O simples fato de perceber (ter consciência) o estresse torna menos provável que ele seja transferido para a próxima tarefa ou encontro.
A consciência mente-corpo é uma habilidade complementar essencial. O estresse, o medo e a ansiedade - que nos impedem de ler o ambiente e ler os outros - geralmente são registrados no corpo antes que estejamos conscientes deles. As práticas mente-corpo, como a ioga e o simples ato de respirar com atenção, nos ajudam a nos monitorar e a permanecer no momento.
Esses hábitos e práticas podem parecer relacionados ao eu, mas são muito mais do que isso. Eles nos libertam da prisão de nosso drama e de nossa perspectiva limitada. Permitem que nos envolvamos mais profundamente com os outros e com o mundo. Esse tipo de autoconsciência também aumenta a empatia. Ao aceitarmos e atendermos às nossas próprias emoções, nos identificamos e sentimos compaixão por essas mesmas emoções nos outros.
O trabalho interno de praticar a inteligência emocional consciente nos permite sair de nós mesmos (visão externa). Assim, podemos nos permitir fazer o trabalho mais importante de liderar e inspirar os outros.
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