Carrinho de compras
Loading

A AUTORIDADE MINISTERIAL DEBAIXO DA PALAVRA

Stélio M. Chambule


O presbítero está debaixo da autoridade de Cristo e da autoridade normativa das Escrituras. Cristo é universalmente o Cabeça da Igreja (Ef 1:22-23; 5:23), e toda autoridade exercida pelos ministros é uma autoridade derivada, ministerial e subordinada, jamais uma autoridade absoluta ou independente.


A ordem correta da autoridade na Igreja pode ser apresentada assim:


Cristo → Palavra de Deus → liderança da igreja → congregação.


Cristo é o Cabeça supremo da Igreja, e a sua vontade normativa nos é dada nas Escrituras. Portanto, a liderança da igreja não está acima da Palavra; ela está debaixo dela. O pastor, presbítero ou qualquer outro ministro não recebe autoridade para determinar aquilo que é verdadeiro independentemente das Escrituras, mas para ensinar, governar e cuidar da Igreja em submissão àquilo que Deus já revelou.


Para que uma igreja seja considerada herética, podemos encontrar precisamente uma inversão dessa ordem de autoridade:


liderança da igreja → Cristo → Palavra de Deus → congregação.


No exemplo acima, a autoridade do pastor é colocada, na prática, acima da Palavra de Deus e, consequentemente, acima da autoridade normativa de Cristo revelada nas Escrituras. Nesse modelo, o líder pode alegar: “Deus me revelou” e, com base nessa suposta revelação, considerar-se autorizado a ignorar, relativizar ou contrariar aquilo que a Palavra de Deus estabelece sobre determinado assunto.


É justamente aqui que se encontra uma violação dos fundamentos básicos da autoridade cristã. Nenhuma autoridade ministerial possui competência para se colocar acima das Escrituras. O ministro não é senhor da Palavra; ele é servo da Palavra. Não é a revelação que deve ser submetida ao líder, mas o líder que deve ser submetido à revelação normativa de Deus.


Mesmo quando alguém afirma ter recebido uma revelação espiritual, essa alegação não pode transformar a pessoa em uma nova fonte normativa de doutrina para a Igreja. Toda suposta revelação, ensino, profecia ou orientação deve permanecer subordinada à verdade já revelada nas Escrituras (Is 8:20; Gl 1:8-9; 1Co 14:29; 1Jo 4:1).


Portanto, a questão fundamental não é se o pastor possui autoridade — ele possui autoridade ministerial —, mas de onde essa autoridade procede, qual é o seu limite e a que ela está subordinada.


A autoridade pastoral é legítima quando permanece debaixo da autoridade de Cristo e em conformidade com a Palavra. Quando a liderança passa a exigir submissão à sua própria palavra mesmo quando esta contradiz a Palavra de Deus, ocorre uma inversão da ordem estabelecida por Cristo.


Em síntese; Cristo governa a Igreja por meio da sua Palavra; os ministros governam a Igreja debaixo de Cristo e em submissão à sua Palavra.