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A Filosofia e o Eclipse Solar

A FILOSOFIA E O ECLIPSE SOLAR



Gordon H. Clark, na sua obra Thales to Dewey¹ (traduzida como História da Filosofia: de Tales a Dewey), faz referência à ideia tradicional de que a filosofia ocidental teria começado com a previsão de um eclipse solar por Tales de Mileto.


Segundo a tradição antiga, preservada por Heródoto e Aristóteles, Tales teria previsto um eclipse solar ocorrido em 585 a.C. Clark utiliza esse episódio não apenas como dado histórico, mas como símbolo da substituição do mythos pelo logos.


A explicação racional do fenómeno natural indicaria uma mudança metodológica; o abandono das narrativas míticas em favor da busca por causas naturais e princípios universais. Para Clark, esse momento representa o nascimento da filosofia enquanto tentativa de compreender o mundo por meio da razão humana. Esse marco despertou uma busca por explicações racionais ao invés de meramente mitológicas:


• O fenómeno deixou de ser explicado mitologicamente (como ação dos deuses).


• Passou a ser compreendido como resultado de causas naturais.


• Introduziu-se a busca por explicações racionais e universais.


Contudo, Clark, não está simplesmente celebrando o racionalismo grego. Ele mostra que:


• A filosofia começa quando o homem tenta explicar o mundo sem recorrer à revelação.


• Desde o início há um problema epistemológico.


• A filosofia grega já revela a tensão entre razão autónoma e fundamento último.


Para Clark, o verdadeiro problema não é o eclipse em si, mas o pressuposto: pode a razão humana, por si só, explicar a realidade? E aqui já se vê o contraste com a epistemologia cristã que ele defenderá mais tarde — onde a revelação proposicional (a palavra de Deus) é o ponto de partida.


Podemos aplicar o exemplo de Gordon H. Clark (em Thales to Dewey) à situação do Instituto Nacional de Meteorologia em Moçambique levando em consideração os pontos seguintes:


• Quando o Instituto Nacional de Meteorologia prevê um eclipse, ele está a agir dentro do mesmo paradigma:


◇ uso de cálculos astronómicos


◇ modelos matemáticos


◇ regularidade das leis naturais


Ou seja, é a herança do logos grego.


O episódio moçambicano pode ser usado como ilustração contemporânea da tensão que começou com Tales:


• A tentativa humana de compreender e prever a realidade é legítima e necessária, mas sempre limitada.


Moçambique não precisa abandonar a ciência e nem descredibilizar ou marginalizar o Instituto Nacional de Meteorologia por causa de uma falha — precisa aperfeiçoar seus sistemas de previsão, mas também reconhecer seus limites.


A previsão falhada de um eclipse (como no caso do Instituto Nacional de Meteorologia) pertence ao campo da ciência empírica.


Características desse conhecimento:


• Baseia-se em observação e cálculo.


• Depende de dados disponíveis.


• Está sujeito a erro humano.


É revisável.


Já a Sagrada Escritura, enquanto revelação divina, possui natureza distinta:


• Não é produto de investigação empírica.


• É revelação proposicional.


• Tem origem divina.


A infalibilidade bíblica não significa que intérpretes não errem.


Significa que:


• Deus não erra.


• Sua revelação é verdadeira.


• As proposições bíblicas são coerentes e sem falsidade.


Aqui entra o ponto central de Clark:


• A única base para certeza é uma revelação divina proposicional.


Enquanto previsões científicas são probabilísticas, a Palavra de Deus é necessariamente verdadeira porque procede de um Deus que não pode mentir.


Se todo conhecimento humano é interpretativo e falível, então precisamos de um fundamento que não dependa da autonomia humana. Senhoras e Senhores esse fundamento é a revelação bíblica.


A PALAVRA DE DEUS É INFALÍVEL.


A Palavra de Deus é infalível porque procede do próprio Deus, que é verdadeiro e não pode mentir. Diferente do conhecimento humano — que é limitado, interpretativo e sujeito a erro — a Escritura é revelação divina, não investigação humana. Se Deus é perfeito em conhecimento e caráter, então aquilo que Ele comunica é necessariamente verdadeiro.


Podemos falhar em nossos cálculos, previsões e interpretações; Deus não falha em Sua Palavra. Por isso, enquanto a razão humana é corrigível, a revelação divina permanece segura, firme e digna de plena confiança.


Por isso, convido cada moçambicano — jovens, adultos, académicos e trabalhadores — a ler, examinar e crer na Palavra de Deus. Que façamos dela não apenas um livro respeitado, mas a base do nosso pensamento, da nossa ética e da nossa esperança.


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¹ CLARK, Gordon Haddon. Thales to Dewey: A History of Philosophy. Ridgeland, MS: Trinity Foundation, 2000. ISBN 978-1-891777-08-0.