Ao contemplar a história de Jó, impressiona-me a seriedade com que Satanás perseguiu o seu objetivo de destruir a vida daquele homem justo. Ele levou a sério a sua missão de roubar, matar e destruir, mobilizando todos os recursos ao seu alcance para atingir Jó. Não houve distração, não houve desinteresse, não houve negligência. O inimigo trabalhou incansavelmente para provocar dor, desespero e afastamento de Deus.
Em contraste, muitos de nós tratamos a vida cristã com uma leveza preocupante, como se a batalha espiritual não fosse real. Enquanto o inimigo trabalha diligentemente para enfraquecer nossa fé, frequentemente nos ocupamos com questões secundárias. Gastamos energia tentando vencer debates, provar que estamos certos, defender nossas posições teológicas, conquistar visibilidade, acumular títulos e construir plataformas que projetem nossos nomes.
Enquanto discutimos quem tem a melhor interpretação, quem possui a maior igreja, quem carrega o título mais respeitado ou quem recebe mais aplausos, Satanás continua trabalhando. Enquanto competimos por reconhecimento, ele investe contra famílias, destrói casamentos, semeia divisão entre irmãos, enfraquece a vida de oração da igreja e promove uma espiritualidade superficial.
É alarmante perceber que, muitas vezes, levamos mais a sério nossa reputação do que nossa santidade; mais a sério nossa imagem pública do que nossa comunhão com Deus; mais a sério nossos projetos ministeriais do que a mortificação do pecado em nossos corações.
Jó nos lembra que estamos inseridos em um conflito espiritual real. O inimigo não está brincando. Ele não tira férias. Ele não descansa. Ele não se distrai. Seu propósito permanece o mesmo: roubar, matar e destruir.
A pergunta que surge é: se o inimigo leva sua missão tão a sério, por que tantos cristãos tratam seu chamado com tanta casualidade? Se Satanás demonstra tamanha perseverança em promover as obras das trevas, quanto mais nós deveríamos demonstrar zelo pelas coisas de Deus?
Talvez a necessidade mais urgente da igreja contemporânea não seja de mais celebridades religiosas, mais debates ou mais estratégias de crescimento. Talvez precisemos de homens e mulheres que voltem a levar Deus a sério, que voltem a dobrar os joelhos em oração, que voltem a buscar santidade, que voltem a chorar por seus pecados e a viver conscientes de que a glória de Cristo vale infinitamente mais do que qualquer título, posição ou reconhecimento humano.
O inimigo está trabalhando. A questão é: estamos nós igualmente comprometidos com a causa do Reino de Deus?
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