Havia numa pequena congregação uma jovem chamada Elisa. Ela amava profundamente a Deus. Não era conhecida por beleza extravagante, riquezas ou popularidade. Era conhecida apenas por algo raro em nossos dias: fidelidade silenciosa. Enquanto muitas amigas já estavam casadas, construindo famílias e exibindo fotografias felizes, Elisa aprendia a conviver com o som doloroso da espera. Cada casamento que assistia era para ela uma mistura de alegria e lágrimas escondidas.
À noite, quando todos dormiam, ela se ajoelhava ao lado da cama e orava:
“Senhor, Tu és soberano. Se for da Tua vontade, concede-me um esposo piedoso. Não peço um príncipe deste mundo, mas um homem que ame a Cristo acima de mim.”
E então chorava.
Os anos passaram.
Algumas pessoas começaram a dizer:
— “Talvez Deus não tenha isso para ti.”
— “Pare de pensar nisso.”
— “Você é exigente demais.”
Mas Elisa havia aprendido algo nas Escrituras: o mesmo Deus que decreta os fins também decreta os meios. E um dos meios ordenados por Deus é a oração. Ela não transformou oração em barganha. Não “determinava” nada a Deus. Não fazia campanhas supersticiosas. Apenas derramava diante do Senhor seus desejos, como Ana fez no templo diante do Deus que ouve. Houve noites em que ela orou sem sentir nada. Houve dias em que o coração parecia cansado. Houve momentos em que ela quase desistiu. Mas sempre voltava ao mesmo lugar: os joelhos.
Certa vez, após um culto simples de oração numa quarta-feira chuvosa, um visitante chegou à igreja. Chamava-se Daniel. Não era rico, nem famoso, nem dono de grandes palavras. Mas havia nele algo que Elisa reconheceu imediatamente: temor de Deus. Daniel era um homem marcado pela Escritura, humilde no falar e sério na fé. Enquanto muitos buscavam aparência, ele buscava santidade. Enquanto muitos queriam emoção, ele queria verdade.
Meses depois, conversando com o pastor, Daniel confessou algo curioso:
"Durante muito tempo eu orei para que Deus me desse uma esposa que O amasse mais do que a mim.”
E sem saber, dois joelhos que choravam em lugares diferentes estavam sendo conduzidos pela mesma providência soberana.
O casamento deles não foi um conto de fadas moderno. Foi melhor: foi uma demonstração da fidelidade ordinária de Deus. Elisa entendeu então algo precioso:
Deus não havia ignorado suas lágrimas. Ele estava trabalhando no silêncio. Porque muitas vezes o céu parece calado não porque Deus esteja ausente, mas porque Ele está escrevendo uma história maior do que conseguimos enxergar.
Se hoje você ora e ainda espera, continue orando.
Não transforme Deus em servo dos seus desejos, mas também não pense que seus clamores são inúteis. O Pai que governa galáxias também recolhe lágrimas de santos cansados. E nenhuma oração feita com fé é esquecida diante dEle.
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