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Quando o Amor se Torna Aliança

              Stélio M. Chambule 


O filme “Continência ao Amor” conta a história de duas pessoas que se casam inicialmente por conveniência. Havia documentos assinados, havia uma cerimónia, havia alianças, e perante a lei eles eram marido e mulher. Contudo, o próprio enredo gira em torno de uma realidade importante: apesar de todas as formalidades, ainda faltava algo essencial. O compromisso genuíno, a entrega mútua e o amor sacrificial ainda precisavam de ser desenvolvidos.


À medida que a história avança, aquilo que começou como um acordo transforma-se numa relação verdadeira. O filme acaba por reconhecer, ainda que de forma imperfeita, uma verdade que as Escrituras ensinam: o casamento não é apenas um contrato; é uma aliança.


Vivemos numa época em que muitas pessoas reduzem o casamento a um evento. Pensam no vestido, nas fotografias, nas alianças, na festa ou mesmo na assinatura do notário. Porém, nenhum destes elementos, por si só, constitui a essência do casamento. Todos eles podem existir sem que haja uma verdadeira união de vida.


A Bíblia apresenta o casamento como uma aliança diante de Deus. Em Génesis 2:24 lemos: “Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma só carne.” O foco do texto não está numa cerimónia específica, mas numa união exclusiva, permanente e pactual entre um homem e uma mulher.


Da mesma forma, em Malaquias 2:14, Deus chama o matrimónio de “aliança”. Uma aliança é mais profunda do que um contrato civil. Contratos existem para proteger interesses; alianças existem para unir vidas. Contratos perguntam: “O que vou receber?” Alianças perguntam: “Como posso ser fiel?”


Isto significa que a assinatura no notário, o vestido e as alianças possuem valor como símbolos e reconhecimentos públicos, mas não são a substância do casamento. A substância encontra-se no pacto estabelecido diante de Deus, no compromisso de fidelidade, no amor sacrificial, na responsabilidade mútua e na decisão de viver como uma só carne.


O grande desafio dos nossos dias não é apenas levar as pessoas ao altar. É levá-las a compreender a natureza sagrada da aliança matrimonial. Muitos querem a celebração sem o compromisso, os benefícios sem os deveres, a aparência sem a realidade.


Por isso, a pergunta não é apenas: “Houve uma cerimónia?” A pergunta mais importante é: “Existe uma aliança diante de Deus, marcada por amor, fidelidade e compromisso até que a morte os separe?”


Quando compreendemos isto, percebemos que o casamento bíblico é muito mais do que assinaturas, alianças e fotografias. É uma união sagrada instituída por Deus para a Sua glória e para o bem daqueles que entram nela.