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Teólogos Sem Deus

Um dos maiores problemas do cristianismo contemporâneo não é a falta de conhecimento teológico. Pelo contrário, nunca houve tantas pessoas capazes de citar confissões, sistemas doutrinários, credos históricos e argumentos sofisticados. O problema é que muitos conhecem teologia, mas não conhecem Deus. Há homens que falam da soberania divina, mas são escravos do orgulho. Discutem a glória de Deus, mas vivem para a própria glória. Defendem a verdade com os lábios, enquanto os seus corações estão dominados pela vaidade intelectual.



A tragédia é que muitos transformaram a teologia num instrumento de autopromoção. O estudo das Escrituras deixou de ser um acto de adoração e tornou-se uma plataforma para exibição. Não estudam para conhecer melhor a Deus; estudam para parecer mais inteligentes do que os outros. A sua alegria não está em compreender a verdade, mas em demonstrar superioridade intelectual. Não procuram edificar a Igreja; procuram impressioná-la. Não desejam que Cristo seja exaltado; desejam que os seus conhecimentos sejam admirados.



Por isso, a maior parte das suas intervenções consiste em corrigir pessoas. Estão sempre prontos para apontar erros, denunciar imprecisões e atacar adversários. No entanto, raramente demonstram amor, paciência, mansidão ou preocupação genuína pelo crescimento espiritual daqueles que criticam. Conhecem as definições da graça, mas pouco demonstram da graça. Conhecem as doutrinas do amor cristão, mas falham em praticar esse amor. Conseguem explicar a santificação em termos técnicos, mas apresentam pouco fruto de santificação nas suas próprias atitudes.



Isto revela uma verdade incómoda: é possível estudar teologia e continuar espiritualmente imaturo. Os fariseus dos dias de Cristo eram especialistas em conhecimento religioso. Conheciam os textos, dominavam as tradições e possuíam enorme influência religiosa. Ainda assim, quando o próprio Deus encarnado apareceu diante deles, não o reconheceram. O seu conhecimento não produziu submissão. Produziu arrogância.



O conhecimento que não conduz à adoração é um fracasso. A teologia que não conduz à piedade é uma distorção. A ortodoxia que não produz humildade está doente. Muitos dizem amar a teologia. A questão é: amam a teologia porque ela revela Deus ou porque ela os faz parecer superiores aos outros? Existe uma diferença enorme entre amar a verdade e usar a verdade como instrumento de exaltação pessoal. O primeiro é um acto de devoção. O segundo é um acto de idolatria.



Quando o conhecimento se torna um meio de autoengrandecimento, a mente passa a servir o ego. Nesse momento, a teologia deixa de ser uma serva da adoração e torna-se uma serva da vaidade. O verdadeiro teólogo não é o homem que vence mais debates. Não é o que possui a biblioteca mais extensa. Não é o que cita mais autores ou domina mais terminologia técnica.



O verdadeiro teólogo é aquele que, ao contemplar a majestade de Deus, é esmagado pela sua própria insignificância. É aquele cujo conhecimento produz reverência, cuja doutrina produz obediência e cuja compreensão das Escrituras produz amor. A Igreja não precisa de mais celebridades teológicas. Não precisa de mais especialistas em polémicas. Não precisa de mais homens apaixonados pela própria reputação intelectual.



A Igreja precisa de homens que conheçam a Deus. Porque, no final, o conhecimento teológico sem piedade não é sinal de maturidade espiritual. É apenas uma forma mais sofisticada de orgulho.