Capítulo 01 - A chegada
Evan Cole não considerava-se uma pessoa animada.
Ele jamais sorriu sem motivos, muito menos agradeceu pelas coisas boas que aconteciam em sua vida. Pelo contrário, era comum vê-lo caminhando com uma expressão fechada e seus lábios inclinados para baixo.
Muitos evitavam falar com ele devido ao seu mal-humor constante.
Só que, quando começou a ter seus contratos rescindidos e as ofertas de trabalho se tornaram cada vez mais escassas, Evan percebeu que deveria ter sido mais agradecido pelas oportunidades que recebera naquela época.
Ele olhou para o celular pela centésima vez e franziu o cenho. Depois examinou o UTV no qual se encontrava. Evan não tinha exatamente gostado da ideia de subir em um veículo tão robusto e estranho, mas não tinha outra opção para chegar em seu destino.
De novo, ele deveria ter ficado mais feliz em ter um meio de transporte de quatro rodas, porque menos de uma hora depois ele estava sendo chacoalhado em cima de um cavalo. E foi uma surpresa descobrir que aqueles animais também transpiravam, o que fez com que suas pernas, que estavam descobertas por estar usando uma bermuda, ficassem molhadas.
Simplesmente perfeito.
Estritamente falando, não era como se precisasse permanecer nas costas daquele animal — ele tinha apenas vinte e sete anos, se alimentava de forma saudável e fazia exercícios diariamente, então poderia caminhar por alguns quilômetros sem morrer de exaustão — mas gastar energia de forma tão irresponsável era mais problema do que valia a pena. Ele não sabia se conseguiria caçar algo para se alimentar nos primeiros dias, e ainda teria que construir um bom abrigo para que ele e sua companheira passassem os dias até chegarem ao final do desafio.
Uma mulher não teria forças o suficiente para lidar com uma carga de trabalho tão pesada, então seria sua obrigação cortar árvores e caçar.
Seria esperto poupar energia enquanto pudesse.
Como o filho mais novo de uma grande família — que era composta em sua maioria de mulheres — Evan jamais deixaria que sua companheira fizesse o que não era possível. Era função do homem prover e lidar com coisas perigosas. Ela poderia focar em construir uma rede de pesca com fibras vegetais, talvez pudesse até mesmo construir sapatos para eles. Isso, claro, caso ela tivesse conhecimento em artesanato. Caso contrário, Evan já ficaria feliz que ela limpasse a caça e cozinhasse. E, caso ela não quisesse fazer nada disso, estaria tudo bem também.
Evan se considerava um homem tranquilo, apesar de seu mal-humor constante. Pensava no quão útil sua companheira deveria ser, mas caso ela não conseguisse fazer muito, ele tomaria a frente. Provavelmente era inevitável ser assim, considerando que suas irmãs o haviam criado para sempre ser um cavalheiro e respeitar as mulheres. Desnecessário dizer que ele não precisava ter palestras constantes para se tornar quem era atualmente. Pelo menos elas pararam quando ele atingiu a maioridade. Ele nunca fez nada que as instigasse a serem tão firmes com ele sobre aquele assunto, mas não as culpava: seu pai nunca foi um bom exemplo.
Eles foram abandonados logo quando Evan nasceu.
Desde então, sua mãe não se casou novamente e suas irmãs levaram a responsabilidade de torná-lo um ser humano decente muito a sério.
Evan ainda ficava um pouco envergonhado quando saía com elas em público e era tratado como um grande bebê, mas ele tinha feito as pazes com isso. Não importava seu óbvio desagrado, elas jamais mudariam. E, quando se mudou para outro país, sentiu falta. Viver em uma cidade grande como Londres era bom, pelo menos no início foi incrível. Ele conseguiu inúmeros comerciais, filmes e até mesmo participou de algumas séries. O problema começou quando as redes sociais tomaram conta de tudo, e os influenciadores apareceram. Certamente foi uma experiência de aprendizado: aprendeu que talento não importava, apenas a popularidade.
Ele ficou envergonhado no começo, já que era uma tortura ver pessoas sem estudo tentando atuar. A vergonha logo se tornou revolta quando foi substituído por aquele tipo de gente. Pior foi ter que correr com o rabo entre as pernas, implorando para ser aceito em projetos menores que ele tinha recusado anteriormente. Desde então, não foi arrogante novamente, aceitando até mesmo comerciais sobre hemorroidas, já que precisava de dinheiro para sobreviver e atuar era a única coisa que sabia fazer bem.
Ainda assim, era humilhante que ele, que havia estudado tanto para chegar onde estava, fosse facilmente substituído por palhaços. Ter que dividir um set de filmagens com um influencer o deixava mais do que um pouco desconfortável, especialmente quando ele não passava de um ator coadjuvante.
Foi por isso que se inscreveu para participar de um reality show: se a única forma de arrumar emprego era se tornar popular nas redes sociais, faria algo similar a isso.
O telefone vibrou em sua mão algumas vezes, tirando-o de seus pensamentos.
Viviane, dizia o identificador de chamadas. Um longo suspiro escapou de seus lábios antes de responder.
— Bryan contou a você? — Falou, sem sequer esperar que a esposa de seu melhor amigo dissesse algo primeiro. Ele e Bryan eram inseparáveis desde que tinham aprendido a falar. Bryan havia sido quem ficou com ele em seus melhores e piores momentos, inclusive em um acidente que quase resultou em sua morte. Agora que seu amigo estava casado, sua esposa foi incluída no pacote de cuidar da sua vida também. — Obrigado por ligar, mas eu tomei essa decisão por um bom motivo…
— Não, não tomou. — Viviane o interrompeu. — Sinto muito se tudo parece muito ruim por agora, mas entrar nesse problema é simplesmente burrice.
Evan pressionou a ponte de seu nariz.
— Eu pensei bem antes de me inscrever. — Não é uma atitude burra, ele queria poder dizer, mas no fundo sabia que poderia ser um grande tiro no pé. Ele estava em uma selva desconhecida, em um país diferente, sem eletricidade, ferramentas importantes e, acima de tudo, ficaria completamente pelado por mais de vinte dias.
— Não pensou sobre sua saúde. — Disse Viviane, sua voz ficando cada vez mais dura. — Sabe bem o quão ruim é sua imunidade, e ainda tem as sequelas do acidente! Você está sendo irresponsável.
— Não diga isso. — Disse Evan, franzindo a testa. — Eu sei me cuidar bem, e não é como se eu fosse ficar cinco meses por aqui, serão apenas vinte e cinco dias.
— E acha que isso torna as coisas melhores? — Respondeu Viviane, sua voz duas vezes mais alta. — Não se recorda do acidente de moto e como ficou depois disso? Você é tão... — Ela suspirou longamente. — De qualquer forma, olha, você precisa desistir. Eu já até comprei sua passagem de retorno...
— Você não deveria ter feito isso. — Interrompeu Evan, seus ombros rígidos. Uma coisa era a esposa de seu amigo se preocupar — eles três eram tão próximos que Evan os considerava sua segunda família — mas era completamente diferente ser tratado como uma criança. — Eu não pretendo retornar até conseguir o que eu quero.
— Por favor, tenha um pouco de senso. — Implorou Viviane. — Você ficará mal. Entendo que precisa de algo que aumente sua popularidade, mas esse não é o jeito certo.
— Jeito certo... — Evan repetiu sem muita animação. — Não há opção melhor do que essa, Viviane, e você sabe bem.
— O doutor disse que, por você ter ficado tanto tempo inconsciente e internado, seu corpo acabou ficando sensível ao frio. — Viviane parecia preocupada novamente. — Ele disse que o seu organismo esqueceu como se aquecer sozinho. Sabe bem que, se algo acontecer enquanto está aí será difícil ter uma ajuda médica rápido, certo? Além do mais, Bryan morrerá se algo acontecer com você. E não quero nem citar as suas irmãs!
— Obrigado pela preocupação. — Disse Evan, observando um dos membros da equipe acenar para eles. Estavam perto do local de partida. — Mas sei me cuidar bem. Vejo vocês daqui um mês.
E desligou a chamada, não sem antes escutar um grito agudo de raiva vindo de sua amiga através da ligação.
Fazendo uma careta — ele realmente odiava ter que reafirmar que era um homem adulto e sabia se cuidar sozinho — Evan pegou novamente o telefone e digitou uma mensagem para Bryan, dizendo-lhe que estava tudo bem e que não deveria se preocupar.
Assim que clicou em enviar a mensagem, uma voz masculina o chamou. Evan levantou a cabeça e viu o homem que explicou as regras para ele logo que chegou no aeroporto dois dias atrás, chamando-o com um gesto de mão.
Evan acenou e deu um impulso, saindo sem muito esforço de cima do cavalo.
O homem parecia apressado, o que não era exatamente um bom sinal.
Evan o seguiu até uma pequena área onde algumas pessoas da equipe técnica estavam reunidas. Câmeras, microfones e pranchetas por todos os lados. O cheiro de repelente era forte o suficiente para causar enjoo.
— Evan Cole? — O homem confirmou, lendo algo em uma prancheta. — Certo, ótimo. Eu me chamo Oscar, caso não se recorde. Sua dupla já chegou, mas vocês só irão se ver depois.
Evan arqueou uma sobrancelha, se sentindo confuso. — Quando?
— Assim que as entrevistas individuais forem gravadas. — Ele gritou uma ordem para um garoto franzino que estava passando por eles, antes de voltar a atenção para Evan. — Por enquanto estamos resolvendo alguns problemas com as câmeras. Aguarde e logo começaremos a gravar, quando iniciar, você tirará sua roupa e contará um pouco sobre o porquê decidiu se inscrever.
— Está bem. — Ele concordou, embora não tenha sido escutado, já que Oscar virou as costas e andou apressadamente até os outros funcionários.
Não se sentiu ofendido. Ao que tudo indicava, o cara tinha muita coisa para resolver antes que começassem a gravar de fato.
Evan resolveu andar um pouco pela área liberada, então não tinha certeza de quanto tempo levou para que pudessem consertar o que estava errado. Quando voltou para o ponto de início, as câmeras já estavam posicionadas e o roteirista sacudia os braços. O sol queimou suas retinas de tão forte que estava, embora tenha dado pouca atenção a isso. Era uma boa coisa que ainda estivesse claro, já que precisaria da luz para construir um lugar para que passassem a noite.
— Dois estranhos. Nenhuma roupa ou tecnologia. Apenas a natureza… e a própria mente tentando pregar peças. — Disse o apresentador, segurando o microfone.
Evan fez uma careta assim que o escutou, o roteiro sendo mais brega do que se lembrava.
— Eu esperava que já tivessem feito isso. — Ele murmurou para si mesmo.
Era estranho ver a abertura que somente escutava pela televisão. Quando assistia os episódios, nunca tinha reparado em como as coisas que o apresentador dizia logo no início soavam… robóticas e estranhas.
— Neste novo formato de Instinto Selvagem, cada dupla precisará enfrentar cinco estágios de sobrevivência progressiva. A cada meta concluída, uma nova ferramenta ou recurso é desbloqueado. — O narrador continuou, gesticulando mais. — E um passo os aproxima da extração final. — Ele deu uma breve pausa. — Mas cada avanço tem um preço. Temperaturas acima de 40°C, noites infestadas de predadores, e um isolamento que transforma qualquer silêncio em pura ameaça.
Um vinco se formou entre as sobrancelhas de Evan, denunciando sua confusão.
Tudo soava… estranho. Ele não tinha ideia que fariam uma temporada completamente diferente das que havia assistido. Porra, não tinha qualquer desafio além da sobrevivência no Instinto Selvagem que assistiu, pelo menos não que se recordasse. Também não recordava de ter lido nada similar em seu contrato, mas, bem, não podia reclamar por conta de uma maldita cláusula.
— Nas próximas três semanas, nossos participantes terão que cruzar dez quilômetros de floresta densa, sobreviver à umidade, aos mosquitos e à própria mente, que tentará sabotá-los. — Tom falou mais baixo dessa vez. — A cada etapa vencida, uma nova ferramenta será liberada. A cada erro, um risco real de eliminação médica. E se conseguirem chegar juntos ao ponto de extração… levarão o título de sobreviventes do Instinto Selvagem.
Uma dor de cabeça maçante começou a se formar no topo de sua testa, de tanto que ele estava franzindo o cenho. Tudo era uma grande novidade, exceto a quantidade de dias.
Evan respirou fundo, tentando afastar a irritação crescente. O suor já escorria pelas têmporas, e ele nem tinha começado com o desafio. Um dos assistentes se aproximou, entregando-lhe um pequeno microfone de lapela, mas ele sabia que dentro de minutos não haveria mais roupa onde prender aquilo. Ficou grato em ver que ele possuía uma corda, podendo usá-lo como um colar assim que estivesse… pelado.
— Está pronto, senhor Cole? — perguntou o cinegrafista, ajustando a câmera.
Pronto para me humilhar em rede nacional? Com certeza não, ele pensou amargamente. Mas, diferente de seus pensamentos, Evan assentiu com um sorriso profissional em seus lábios cheios.
— Tire a roupa e olhe para a câmera. — orientou o produtor, sem rodeios.
Evan hesitou por meio segundo, o suficiente para sentir o constrangimento ferver no estômago. Não haveria nenhum figurino, iluminação de estúdio ou maquiagem para disfarçar pequenos defeitos. Seria apenas ele e a câmera focando em seu rosto, esperando que dissesse algo inspirador para cativar o espectador.
Ele tomou uma respiração profunda e despiu-se rápido para não ter perigo de desistir. Dobrou as roupas com cuidado desnecessário, apenas para manter as mãos ocupadas, e as deixou sobre uma caixa metálica.
O vento morno bateu contra a pele, e a sensação foi menos libertadora do que ele imaginara.
— Pode começar.
Ele limpou a garganta, esperando que sua voz saísse clara e não trêmula de vergonha.
— Eu sou Evan Cole, tenho vinte e sete anos e sou um ator. Me inscrevi porque… — Ele fez uma pausa curta, procurando palavras que não soassem patéticas. — porque quero uma segunda chance.
— Uma segunda chance de quê? — a voz de Oscar foi ouvida fora da câmera.
— De ser visto. — Evan respondeu, sem dedicar um pensamento.
— E o que você sabe fazer?
— Eu sou muito bom em construir armadilhas, filtros para tomar água potável e, acima de tudo, não tenho medo de me arriscar. — Um longo silêncio se instalou enquanto ele encarava a câmera sem jeito.
Porra! Ele era um fodido ator, contracenava desde criança, não deveria se sentir daquela forma, estava acostumado. Ainda assim, não se sentiu confortável.
Felizmente o operador assentiu satisfeito e encerrou a gravação.
— Perfeito. Pode se preparar, sua dupla será chamada em seguida. Dessa vez vocês vão se conhecer antes de começarmos a filmar, estamos tentando algumas coisas novas.
Enquanto se afastava, Evan notou o helicóptero já sendo abastecido. A grama alta balançava sob o vento gerado pelas hélices. A cada segundo, a ideia de estar isolado no meio do nada com um estranho soava mais idiota.
O piloto acenou, indicando que era hora de embarcar.
Evan respirou fundo, o estômago revirando em nervosismo. Antes de subir, lançou um último olhar ao redor, esperando ver uma mulher — qualquer uma — se aproximando para acompanhá-lo. Mas o único que caminhava em sua direção era um homem exageradamente alto, de ombros largos, que não parecia se encaixar ali por estar completamente nu.
Isso o fez ficar estático, ainda fora do helicóptero.
— Espere… — Evan franziu o cenho, olhando para Oscar, que caminhava ao lado dos câmeras. — Ele é o meu parceiro?
Oscar pareceu hesitar, como se não entendesse a dúvida. — Sim, claro. Algum problema?
Evan piscou, confuso. — Eu achei que seria uma mulher.
— O reality não faz distinção de gênero nas duplas. — explicou o produtor, rápido demais, provavelmente já acostumado com reclamações. — O foco é o contraste entre perfis diferentes. Ator e fazendeiro, entende?
— Ator e… fazendeiro. — repetiu Evan, ainda tentando processar. — Isso é algum tipo de piada?
— Pode considerar uma lição de sobrevivência mútua. — respondeu Oscar, antes de se afastar para dar mais ordens.
Evan o observou partir, incrédulo. Ele estava prestes a gritar quando uma nova voz cortou sua tentativa:
— Evan Cole, é isso?
Ele virou a cabeça… e a primeira coisa que viu foram os olhos escuros demais, estreitos sob a luz, fixos nele como se o medisse, e inconscientemente seus ombros se encolheram. O homem permaneceu parado em sua frente, os músculos bem construídos à mostra e a expressão dura, chegando a estar impassível.
— Alexander Gray. — o cara disse, estendendo a mão, sem realmente parecer esperar que fosse aceita porque não se mostrou surpreso quando Evan não se moveu para agarrá-la.
O choque provavelmente estava escrito em seu rosto porque seu aparentemente companheiro de desafio soltou uma risada rouca que fez os pelos de seu braço arrepiarem. Um sorriso deveria demonstrar felicidade, mas Evan só sentia perigo. Todos os seus instintos gritando para que ele corresse.
Ele ignorou o aviso.
— Problemas com a parceria? — perguntou Alexander, e se possível, ele arrepiou ainda mais.
Evan manteve o queixo erguido, mesmo que por dentro não estivesse se sentindo nada confiante. — Eu esperava alguém mais… adequado.
— Adequado? — O cara arqueou uma sobrancelha negra. — Tipo o quê? Uma mulher que fizesse o trabalho pesado enquanto você posa para a câmera?
O rosto de Evan esquentou imediatamente. — Eu não disse isso.
— Certamente pensou. — Alexander deu um meio sorriso, claramente se divertindo. — Relaxa, ator. Se fizer tudo direito, talvez eu não precise te carregar de volta para o helicóptero.
— Eu não preciso que ninguém me carregue. — Evan retrucou, soando mais ríspido do que pretendia. — Sei me virar.
— Espero que sim. — Alexander respondeu, subindo no helicóptero com facilidade, o corpo enorme movendo-se com uma naturalidade irritante.
Evan ficou parado por alguns segundos, olhando fixamente para as costas largas. Era oficial, seu parceiro de sobrevivência era um homem bruto, arrogante e obviamente acostumado a mandar.
— Isso só pode ser algum tipo de castigo. — ele murmurou para si mesmo antes de entrar.
O barulho do motor preencheu o ar e Evan se sentou, cruzando os braços e evitando olhar para o lado, mas sentia o olhar fixo de Alexander sobre ele. Por algum motivo, a presença do homem o deixava desconfortável. Não apenas pelo tamanho ou pela atitude dominante, mas pela estranha sensação de que o cara o estava analisando por inteiro. E, algo que normalmente não seria o problema, se tornava desconcertante quando não conhecia nem um por cento da personalidade de um homem que passaria três semanas junto com ele.
E o veria completamente nu, a todo momento.
Merda, Evan xingou mentalmente. Deveria ter pegado mais firme na academia para construir bons músculos.
Provavelmente pareceria com um frango depenado andando ao lado daquele monstro.
O helicóptero levantou voo, e o vento forte soprou os cabelos de Evan para trás. O chão sumiu sob eles.
À medida que o solo ficava distante, ele olhou pela janela e viu a selva se estendendo até onde os olhos podiam alcançar. Verde por todos os lados.
Oscar havia dito que o local de pouso ficava a dez quilômetros da base principal, mas vendo de cima, Evan começou a duvidar se havia alguma chance real de chegar até lá inteiro.
— Pessoas como você desistem rápido. — Gray disse sem parecer ser provocação explícita mas havia desprezo o suficiente no olhar para fazer Evan entender.
Evan piscou, confuso. — Como é?
— Você me ouviu bem, garoto. — Gray estava sério dessa vez. — Você não aguentará muito sem minha ajuda, provavelmente não aguentaria meia hora sozinho. Não parece ter experiência com sobrevivência.
Evan desviou o olhar e se recostou no banco, cerrando os punhos.
Ótimo, ele pensou acidamente, ficar pelado na selva já seria o suficiente para dar nos nervos. Mas agora vou ter que lidar com um psicopata com complexo de Tarzan.
Em menos de meia hora, estariam completamente sozinhos.
Ele começou a se perguntar se realmente conseguiria aguentar vinte e cinco dias ao lado daquele homem.