JOSÉ VICENTE JORGE OU A MEMÓRIA DE MACAU
No final do século XIX, Macau era uma pequena cidade suspensa entre o Oriente e o Ocidente. Entre comerciantes chineses, diplomatas portugueses, missionários, poetas e refugiados, surgiu uma figura singular: José Vicente Jorge.
Intérprete, professor, diplomata e profundo conhecedor da cultura chinesa, José Vicente tornou-se uma ponte viva entre duas civilizações. Respeitado tanto pelos portugueses como pelos mandarins chineses, viveu os grandes acontecimentos da Ásia moderna: o declínio da dinastia Qing, a Revolta dos Boxers, a ascensão da República Chinesa e as guerras que transformaram o Oriente no século XX.
Ao longo da vida, construiu na Rua da Penha um extraordinário universo de arte chinesa, manuscritos, porcelanas e memórias. Chamavam-lhe “o Barão do Pau Preto”. A sua casa tornou-se um símbolo da elite macaense culta e cosmopolita.
Mas esta não é apenas a história de um homem. É também a história da sua família — filhos espalhados pela guerra, mulheres silenciosamente sacrificadas, professores, viajantes e sobreviventes de um mundo em desaparecimento.