A insatisfação com o próprio destino acompanha o homem em todas as épocas. Longe de ser um mal, ela foi uma das grandes forças civilizadoras, elevando-nos acima da condição animal. Mas o mesmo descontentamento que impulsionou o progresso também gerou uma vasta linhagem de ilusões e absurdos — e é a eles que nos dedicamos aqui. Apesar da amplitude do tema, ele pode ser reduzido a limites claros, tornando seu estudo instrutivo e agradável.
Três causas principais inflamaram o descontentamento humano e nos lançaram em labirintos de erro ao buscarmos remédios para o irremediável: a morte, o trabalho e a ignorância do futuro. Da primeira nasceu a busca pelo elixir vitae, capaz de evitar ou prolongar a morte; da segunda, a pedra filosofal, prometendo transformar metais em ouro; da terceira, as falsas ciências da astrologia, adivinhação, necromancia, quiromancia e seus inúmeros presságios.
Para compreender esses desvios, é útil dividir seus agentes em três grupos:
Alquimistas
Astrólogos e adivinhos
Charlatães de toda espécie
Na prática, porém, essas figuras frequentemente acumulavam funções: o alquimista era também necromante; o adivinho, curandeiro; o charlatão, milagreiro. Nas eras mais antigas essa mistura é quase inseparável, e mesmo em períodos posteriores a distinção permanece difícil.
Mas não cabe à autoeducação olhar para essas histórias com desprezo. O estudo dos erros humanos é parte essencial da formação de qualquer consciência. Assim como revisitamos nossa infância para compreender as ilusões que um dia nos guiaram, a sociedade precisa revisitar suas crenças para reconhecer seus próprios mecanismos de busca, medo e esperança.
Não devemos, em nosso orgulho moderno, desprezar as loucuras dos antepassados. Estudar os erros de grandes mentes é sempre instrutivo. Assim como o indivíduo revisita sua infância para compreender suas antigas ilusões, a sociedade deve olhar para trás para aprender com as crenças que um dia a governaram. Só um pensador superficial rejeitaria tais histórias por parecerem absurdas.
Toda mente pode extrair sabedoria de seus próprios enganos, e toda sociedade pode aperfeiçoar-se examinando sua antiga credulidade. Além disso, para quem lê por puro prazer, poucos capítulos da história humana são tão fascinantes quanto este reino do fantástico — repleto de coisas que nunca foram e nunca poderiam ser, mas que, ainda assim, foram imaginadas e acreditadas.
Pesquisa e análise conduzidas pelo Instituto de Autoeducação
Nivia Lanznaster